Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...
Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.
Oswaldo Montenegro aqui: http://pensador.uol.com.br/autor/oswaldo_montenegro/
Depois de várias tentativas de manter um blog, que falharam, finalmente consegui chegar numa ideia que, certamente me obrigaria a estar sempre atualizando uma página da internet. E, que não poderia ser diferente, em se tratando de mim. Nesse espaço, vou trazer citações de livros que eu li e que me ajudaram na difícil tarefa de formar uma personalidade forte, que busca fugir do senso comum, que caminha à procura do que é excêntrico, do que é singular, de ideias em que poucas pessoas brigam por elas, e que a maioria não concebe, não abre os seus corações para que se deixe entrar novos conceitos, novos jeitos de ser, novos conhecimentos. Nada que, de repente, possa sugerir uma mudança. As pessoas não gostam de mudar. Eu gosto de aprender. Eu gosto de conhecimento e, quase sempre, a concepção de um novo conhecimento sugere a mudança de antigas premissas. Mudar, portanto, é necessário. Já dizia Raul Seixas em sua canção: "mas eu prefiro ser, essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo."
domingo, 17 de junho de 2012
Daquilo que a gente é,
Você é
Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.
Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.
Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.
Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.
Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.
Martha Medeiros
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Das lembranças que a gente tem
Existem lembranças que são fontes perenes de amor. Recordá-las é como caminhar descalço na areia da praia num começo de manhã de céu azul, a brisa do mar misturada aos raios do sol, aquele ventinho morno que se derrama na pele com gentileza rara. Recordá-las é um cafuné gostoso que a vida reinventa.
Quando estamos tristes, cansados, aborrecidos, também podemos ir até lá, onde essas lembranças moram. Podemos escolher uma delas para nos banharmos com o sentimento bom de que é feita. Ver de novo. Sentir de novo. Alimentar o coração. É um jeito afetivo de renovar a energia no momento presente.
Ana Jácomo
Lindamente aqui: http://anajacomo.blogspot.com.br
Dos segredos do Amor
O maior segredo do amor não é por que amamos, mas por que deixamos de amar.
Fabrício Capinejar
Aqui:http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/2009_12_01_archive.html
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